Tarde no inferno...

Tarde na igreja...
Me percorriam os cânticos,
E tuas mãos infernais.
Meus gritos falhos,
Encobertos pelos malditos corais...


O anjo na prateleira,
Não estava ali para me guardar...
Foi esse maldito serafim,
Com tuas asas minúsculas e ego enorme,
Que me julgou a vida inteira...


O corpo pesado.
Abafando minha alma...
Minha pele ardia e ele cuspia:
"Fique calma!"


A vovó de joelhos...
Rezando por qualquer alma que não era a minha...
Porque anjos estão ocupados demais.
Anjos cansados de proteger garotinhas...


Mas naquela tarde eu implorei...
E se algum anjo me ouvia,
Ele ria!
E repetia:
"Eu bem que avisei!"


Uma pequena pecadora,
Em hora e lugar errados...
E aquele homem com mãos de foice...
E os anjos assistindo enquanto o seu corpo era tomado...

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