Você sabe meu nome...

A caminho do céu, 
A passos atordoantes,
Sendo arrastada,
Tirada a força do maldito fogaréu.


As estatuetas tão angelicais...
Guardando a entrada,
Seus olhos tão misericordiosos,
Quase me fazendo esquecer que eu estava ali para ser julgada...


Os anjos cantantes,
Estavam longe de ser um show de boas vindas...
As brasas, gritantes...
Cuspiam todos os pecados de minha vida...


E foram muitos, querido leitor...
Me deitei com o Diabo,
E, do fruto proibido, 
Eu lhe ensinei o sabor...


E mais parece paradoxo, 
Estar algemada aos portões do céu.
E, para todos os efeitos, 
Fui arrastada pelos sete véus...


Vocês já conhecem meu nome...
Nasci ao lado de uma macieira, e eu estava sempre com fome...
Fui de flor botânica
À musa satânica...


Condenada por alimentar meu próprio ego...
Com eles caminhando sobre meus ossos,
Repetindo que me levantar seria um erro...


E o Diabo, caro leitor...
Foi minha única opção...
Os anjos trouxeram dor,
Tão inatingíveis, todos com seus bons corações...


Me chame de bruxa, de vadia histórica.
Me questione se sinto culpa,
Me desacredite, como uma deusa folclórica.


Me jogue às chamas,
Me assista arder...
Depois me cubra de mentiras,
Sussurre que não tenho nada a temer....


E por fim, deseje o paraíso,
Com o teu olhar mais cínico...
Só não se esqueça que eu serei o Diabo,
Que te aguarda no sétimo círculo.

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