Violonista


O dedilhar teve início.
Os ouvidos da donzela se apuraram;
Reconhecendo as notas de teu vício...

O moreno acariciava os tendões do instrumento,
E a plateia uivava,
Aprovando o violão em seu estado de lamento...

As cordas gritavam sob a pressão.
Os dedos hábeis dançando, 
A menina pedindo uma trégua para o coração.

E no embalo da melodia,
A menina era embrenhada pelas notas.
E o moreno, sorria...

Mais do que noite de verão,
Aquele dedilhar suave a aquecia...
Vibrando em cada neurônio, sem exceção.

E via-se, de repente, sob teu toque...
Era agora o instrumento.
E nela tocava desde bossa nova aos clássicos do Rock.

Era aquecida e acariciada...
E não tinha nada a temer,
Sem culpa por toca-ló e por ele ser tocada.

Em seu olhar, estava o calor daquele gingado...
E com Tom Jobim em seu ápice,
Os dois pediram trégua, suados...

Mas, além de tempestade, 
O moreno era calmaria...
Era alvorada e fim de tarde.

E, depois do vendaval de vibrações,
Poderia repousar em teus braços.
Ainda com resquícios de melódicas sensações...

Mas me diga, violonista:
Iria para o Inferno comigo? 
Para longe de qualquer amor consumista?

E se eu lhe arrastar por meu submundo,
Ainda amará minha essência?
Com teu amar mais profundo?

Será que o Diabo aprova,
Que os opostos se unam?
Em poesia e bossa nova?

Sentia-se amarrada por teu olhar.
Enaquanto ele jurava amor,
Por uma bruxa que não era capaz de amar...

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