vinte e nove de Maio



  Dia 29 de maio, ele pode ser apenas um dia para você, mas para mim são duas datas, em anos distintos, com pessoas distintas que me fizeram sentir único!  


São um pouco menos de 3 dezenas, que unem o 2 e o 9 para juntos fazerem o que poderia ser o meu número da sorte na numerologia, aquele que mexe com os meus astros e que com o retorno de Saturno faz alguma coisa que você lê em qualquer revista idiota, mas como eu não acredito na sorte, na numerologia, em Deus ou no Diabo, vinte nove era apenas uma música da Legião Urbana que fazia e faz muito sentido para mim, fazendo parte da trilha sonora da minha história durante a faculdade, depois acabou virando um dia especial, depois dois dias especiais e acredito as vezes que eu sou a personificação do dia, da data, do número eu sou 29. 


Eu sou o dia 29 de maio, 2013, 3 horas da manhã, 28º, um soco no meu estômago ao sair do avião e sentir aquele calor de Belém, eu sou 29 de Maio de 2016, 1h Jundiaí, 19º, pelo Skype eu falo o que eu nunca tinha falado antes. Eu sou 29 de maio de 2019, 18h, 24º, e estou aqui olhando para trás e contando os meus 29’s de maio para vocês. 


Eu peguei um taxi, era outono, mas nem as madrugadas de verão eram tão insuportáveis quanto aquela madrugada, o motorista ri da minha cara dizendo: “aqui em Belém é assim”, eu estava acompanhado da minha amiga, Amanda, mas por mais que eu gostasse dela eu só podia pensa em Alice, foram mais de 4 anos de conversa, para agora finalmente eu iria conhece-la. 


O relógio marcava mais de 1h30 e Mariana ainda não estava online, as minhas mãos suavam, eu olhava para tudo ao meu redor deitado em minha cama, o quarto era pequeno, mas parecia que tudo tinha ficado maior e eu menor, até que ela dá sinal de vida, foi apenas um oi, mas para mim era muito mais que duas letras. 


O telefone do hotel toca, eram 6h30 da manhã, eu atendo e o recepcionista me diz “a senhorita Alice está aqui. Posso mandar subir?” caindo da cama, me troquei em tempo recorde e desci as escadas correndo, me esquecendo de que havia elevadores, comi os degraus achando que assim chegaria mais fácil da na recepção, ao chegar me deparo com aqueles dois olhos negros e penetrantes, um sorriso fácil e ingênuo, de 19 anos, estudante de psicologia, meiga, tímida, não sábia o que estava fazendo ali, eu também não sabia, ao mesmo tempo nos perguntávamos “Por que não?”. 


A conversa rendia entre Mariana e eu, parecia que aqueles 7 dias eram 7 anos, nosso papo fluía, nós fluímos, os nossos corpos fluíam, nossas mãos queriam se tocar, queriam nos tocar, eu sentia a sua pele na minha, as suas mãos nas minhas, as suas mãos eram as minhas e as minhas eram dela. 


Eu me lembro como se fosse hoje, Alice nem me deu oi, me beijou, sem falar nada, como naqueles filmes que passam na Sessão da Tarde, como uma colegial beijando o seu primeiro amor no pátio da escola, foi rápido, intenso, tímido e molhado, fica difícil saber qual foi a primeira coisa que falamos, me vem na lembrança os beijos no elevador, e nos amassos no corredor (curiosamente um corredor vazio) até o quarto, até nos depararmos com Amanda. 


Estávamos de roupa novamente, no sopro da paixão, totalmente envolvido pelo momento que vivíamos, pela sensação de viver aquela paixão após 3 anos, aquelas palavras que nunca haviam saído da minha boca saíram “quer namorar comigo?”, daí pra frente foi tudo história, desde os clichês, do amor meloso as noites e mais noites e dias e mais dias de sexo, das brigas homéricas ao eu te amo.


Enquanto Amanda tomava banho, Alice e eu estávamos a ser guiados por uma força que nos controlava para a cama, Amanda saiu e fingimos que a vimos sair, estávamos morando um no outro, sem ter tempo de olhar para o lado, o meu mundo era Alice e eu era o mundo dela, eu nunca me senti tão bem como eu me sentia ao refletir em suas íris negras, passamos a manhã toda e depois à noite nos amando vestidos como índios, o meu corpo se juntava ao dela enquanto eu navegava naquele mar branco de sua pele. 


Desde aquele dia todo dia 29 de maio passou a ser uma celebração em minha vida, após 3 anos a celebração quase  ganhou um novo sentido, mas que com o tempo acabou, mas Alice e mim nunca acabou, sempre achou uma forma de se manter dentro de mim, desde o nosso abraço de despedida até hoje, enquanto eu conto  isso a vocês, são 6 anos que Alice habita em mim. 


Mariana com o tempo tornou-se uma estátua de sal, que com o vento foi virando pó e se espalhou pelo mundo, mas Alice continua lá, no mesmo lugar aonde eu a deixei, no mesmo lugar que eu quis ficar, no lugar aonde eu queria estar, e mesmo assim eu ainda me pergunto onde ela está? Como ela está? Se os rapazes em sua vida a fazem feliz como eu a fiz? Eu me pergunto sobre Alice, porque no meu mundo estas perguntas tornam-se orações para Alice. Eu ainda penso em Alice, eu ainda sinto Alice, eu ainda quero Alice.

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