Olhos de Ônix


Ouviu baterem à porta, ainda sonolento.
Foi esgueirando-se pelos cômodos:
Na entrada, uma musa com seus cabelos ao vento.

Esfregou os olhos. Já não sentia mais a ventania.
Era lentamente aquecido,
Por aquela donzela de alma sombria...

Ela, não pediu licença ao entrar;
Sabia o quanto ele havia esperado,
Sonhando com a noite em que poderiam mais uma vez se amar.

Devorava com seus olhos cada centímetro de tua pele dourada;
Ele vestido da cabeça aos pés,
Enquanto sua alma era lentamente despida...

Ela não desviava o olhar um segundo sequer.
Preciosas pedras Ônix:
Pertenciam à dona da noite, à menina mulher!

As linhas de teu corpo formando mapas secretos.
Os cabelos enroscando-se ao corpo, 
Os lábios, estranhamente quietos...

Nenhuma roupa lhe servia.
Banhava-se em coragem,
Despia-se de mágoas e sorria!

Teu perfume o deixava embriagado.
Ela trazia o suor de um povo,
O perfeito aroma de um anjo renegado.

Estava nua, de corpo e alma.
Queria ter tempo para explicar,
Sussurrar para que ele mantivesse a calma...

Mas ele saltou como o próprio Leão de Nemeia,
Atacando sua carne...
Ensinando aos leigos como se fazia uma Odisseia...

Amaram-se como se nunca tivessem feito isso antes...
A Lua era a testemunha, 
Na janela, berravam os ventos uivantes.

Os dedos entrelaçados...
Os sabores de duas almas dançavam,
Os corações batendo em orquestra, abraçados...

Mas ele sabia que era casto seu tempo com ela...
Preparava-se para ver a dama partir,
Levando consigo o calor, saindo na encolha pela janela...

E sem ela, padeceria...
Suas noites voltariam ao normal,
Numa mórbida calmaria.

Mas a bruxa não podia ser domada.
E ele não queria vê-la dócil,
Pois se apaixonara pela aventureira destrambelhada....

Então deixou que ela voltasse para selvageria...
Abriu os olhos, agora de fato consciente;
Seus sonhos com a bruxa, teriam que esperar até outro dia...

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