Como ousa dizer?


 És condescendente tal crítica,
 Teus comentários sobre minhas expressões exageradas,
 Mas e a tua? Ofensiva, de maneira típica...

 A visão turva, as feridas abertas,
 A faca em minha mão.
 Em minha mente, divagações incertas.

 Por que ainda permaneço a teu lado?
 Pensando que posso lidar
 Com esse tal "gene" insubordinado.

 Tuas mãos descem por meu pescoço.
 Mas elas não me acariciam...
 Seu toque artístico, agora é esboço.

 Sinto de novo teu perfume, teu hálito...
 Mas eles logo se perdem, 
 Encobertos pelo odor vermelho e metálico.

 Sinto o macio de teus lábios em minha pele.
 Depois teus dentes me surpreendem...
 Derrubo a faca... "Isso é típico dele".

 Teus passos ecoam por todo o corredor,
 Lembrando-me das brincadeiras,
 Dos sorrisos e cantigas de amor...

 Posso sentir cada nota de tua voz melodiosa.
 Costumava cantar para mim...
 E agora está a bater portas numa sequência estrondosa.

 Finalmente te encontrei!
 Envolvo-o em meus braços,
 Finalizando com o golpe que por tanto esperei...

 No fundo de teus olhos se forma uma tempestade.
 Cada vestígio de luz neles,
 Parecendo implorar por piedade...

 Mas eu sei porque me direciona esse olhar,
 Já estive em tal posição,
 Fugindo de alguém que jurou me amar.

 Tua respiração cada vez menos audível.
 Não foi você quem disse,
 Que com a morte o amor ainda seria visível?

 Tua cabeça agora repousa em mim.
 Seria muita hipocrisia dizer,
 Que eu não esperava que terminasse assim?

 Deito-me pela última vez ao teu lado...
 Para mim, isso se denomina vingança.
 E para eles? Legítima defesa ou homicídio qualificado? 

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