O pulo do gato



O gato saltou sem avisar
A bruxa antes perdida em devaneios
Agora pôs-se a gargalhar.

O bichano parecia saber o que ela pensava, 
E diante de tão estúpida ideia
A bruxa de repente corava.

Acariciou o animal manhoso
Deu-lhe beijinhos ternos
E pós-se a sonhar de novo.

Em sua mente estava o brilho 
O olhar que fazia amar 
E levava qualquer martírio.

Os lábios carnudos que deixavam rastros por toda a sua pele...
E de sobra a saudade de um tempo
Em que a bruxa jurava amores a ele.

Promessas que se perderam pelo caminho.
Ficaram apenas nas lembranças 
De dois alguéns tão sozinhos.

Ela queria de volta a doçura, 
O toque suave, calculadamente irresistível
O riso que esbanjava travessura...

O bichano miava apavorado...
Parecia que o véu havia caído
E nada a separava do outro lado.

A bruxa, agora alerta, puxou sua adaga
Estava pronta para enfrentar quem fosse
Não importava quanta saudade carrega.

E ali estava ele, na penumbra amoitado.
E ela quase se deixando levar
Pelos traços fortes de seu falecido amado...

Ele parecia estar ali, mais do que antes...
E a bruxa foi cedendo às memórias...
Ao perfume e aos cantos errantes...

Mas ao aproximar-se não via mais tanto
Seus olhos vagueavam,
Tentando vê-lo em algum canto...

Ele se fora, pela décima vez...
Havia a deixado sem hesitar.
Do jeito que cada um fez...

Ele estava a um véu de distância...
E ela não podia encontrá-lo
Vislumbrar seu olhar cheio de arrogância.

Os devaneios alegres teriam que bastar...
Para a bruxa tê-lo em alguma noite
Deveria colocar-se a sonhar...

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