Ninguém se eterniza...


  Era só mais uma tarde comum,
  Com o sol poente em sua despedida
  E uma menina que não iria a lugar nenhum...

  Era só mais um último sopro de vida
  Mais um "adeus" para a menina - bruxa
  Com seus ombros já pesados de tantas despedidas.

  Incontáveis sorrisos já haviam ido embora
  Levados pelos braços de Zéfiro,
  Acolhidos no abraço manhoso da Aurora.

  A pequena não sabia mais a quem recorrer...
  Seus cabelos eriçavam de pensar em quem iria,
  Não queria perder mais abraços, mas não havia nada a fazer.

  A Lua naquela noite tomou um brilho apagado.
  Mil almas gritavam na brisa mórbida,
  Eram os passageiros de Caronte, temendo serem esquecidos...

  Apagavam-se suas artimanhas, gargalhadas...
  Eram deterioradas as palavras suaves, dengosas...
  Queimavam-se as fotos, descoloriam - se lembranças...

  O tempo fazia esvair-se as memórias
  Restando apenas a miserável lápide...
  E umas poucas flores de remorso.

  A verdade é que não seremos lembrados...
  Não há façanha que possa mudar este temor.
  Pois tememos não sermos eternizados.

  E que graça teria? Me diga!
  Nossas estátuas a sombrear alguma calçada famosa,
  Enquanto pessoas curvadas passam com seu olhar de fadiga...

  Mãos ansiosas para agarrarem dólares encardidos...
  Enquanto crianças lambuzam-se em seus celulares...
  A luta pelo lucro trazendo tempos e viveres perdidos!

  Quero a insignificância de um sorriso sincero...
  Borboletas no estômago, faces enrubescidas.
  Sussurrar enfaticamente alguma citação de Homero...

  Não me basta ser eternizada por uma multidão,
  Quero que meus batimentos ribombem
  Virem música em algum coração...

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